Escrito por João Pessoas "WormPT"
Segunda, 17 Novembro 2008 15:33
por João Pessoas "WormPT"
Desde há muito tempo que sou um apaixonado pela Segunda Guerra Mundial. Desde filmes, a livros e a documentários, o material que possuo relativo ao tema é imenso. A par desses meios mais convencionais, os videojogos proporcionaram-me aquilo que há vinte anos atrás seria impensável: Viver uma parte desses acontecimentos na primeira pessoa. Dentro das várias experiências já lançadas dentro do género, a série Call of Duty tem paulatinamente surgido todos os anos para arrecadar os habituais milhões garantidos pela sua forte base de implantação. Dado que a quarta edição fugiu dos palcos do grande conflito (com o tremendo sucesso que todos já conhecemos), o retorno à guerra quase artesanal neste ano de 2008 encontra-se rodeado de várias reticências. A Treyarch, equipa responsável pelo apático CoD 3, ficou mais uma vez a braços com a terrível tarefa de apresentar qualidade numa fórmula já batida por sucessivas reencarnações. Call of Duty World at War chegou, e com ele a resposta às dúvidas que todos possam sentir. Já joguei e aqui estou para vos contar
Antes de mais, e porque já é hábito, começo com a confissão da praxe. Já estou farto de assumir sempre o lado vencedor. Desde que há FPSs da Segunda Guerra Mundial que eu anseio por uma aventura onde possa encarnar as forças do eixo. Chamem-me Nazi, chamem-me o que quiserem, mas isto de ser sempre bonzinho e defensor dos valores da democracia e da liberdade, já chateia. Que tal ser um valoroso elemento das SS? Que tal ser um Kamikase aos comandos de um Zero? Uma abordagem feita pelo lado das potências vencidas (que no início da guerra possuíam exércitos fabulosos), seria uma verdadeira lufada de ar fresco num género mais do que repisado. Como eu gostaria de reescrever a história e conquistar Moscovo aos comandos de um Tiger. Esperemos que mais tarde ou mais cedo isso seja uma realidade. Esperemos
Infelizmente, e mais uma vez, em CoD World at War, a fórmula dos anteriores é transposta quase a papel químico. Talvez a grande alteração que ocorre relativamente aos títulos anteriores (passados na Segunda Guerra Mundial), seja a mudança de parte da acção para o teatro de guerra oriental. Deste modo, e encarnando um operacional do exército americano, vamos fazer parte do assalto generalizado que a partir de 1944 foi despoletado contra as várias ilhas ocupadas pelo exército japonês. Pelo meio, damos um saltinho até ao centro da Europa, para auxiliar o exército russo a aniquilar o monstro Nazi. Tudo isso é feito da maneira habitual dentro da série. Acção nonstop, auxiliada por eventos profundamente "scriptados", onde a música surge dentro da coreografia visual apresentada sob a batuta mais elementar dos blockbusters do género.
Agora vocês estarão a pensar: Mas afinal, isso é bom ou é mau? Os outros jogos sempre foram bem cotados (CoD4 será o expoente máximo desse modelo). Porque é que em CoD World At War, a mesma receita não terá o mesmo resultado?
Embora haja um esforço em atribuir uma dimensão mais adulta aos vários acontecimentos (há mais sangue e realismo empregue nos mesmos), a sensação de déja-vu dificilmente nos abandona. Já libertámos companheiros de armas, já conquistámos aldeias, já desembarcámos em praias, já conduzimos tanques, já fizemos quase tudo o que há para fazer em CoD World At War, e praticamente, da mesma forma. Claro que os ambientes do Pacífico aparecem com uma mão cheia de pormenores nunca antes vistos na série (tais como as incursões ao luar, onde atrás de um qualquer arbusto pode surgir um japonês suicida), mas para quem gostaria (como eu), de uma abordagem menos "hollywoodesca"a toda esta temática, esqueçam Isto é Call of Duty, e como comprovam os números de todos os anos, existe muita gente à espera da velhinha fórmula de sempre.
Apesar de tudo, CoD World At War, traz-nos aquilo que muitos desejaram em Modern Warfare: Co-op. Perante esta possibilidade, as faces de muitos de vós abrir-se-ão em sorrisos rasgados, pois poder partilhar com mais três companheiros as agruras da guerra (ainda que virtual), é algo que verdadeiramente marca qualquer amante de FPSs. Assim, e excluindo missões que pela sua particularidade, não se encaixariam num grupo de quatro jogadores, toda a campanha do jogo está disponível tanto em modo normal, como num modo competitivo, onde cada elemento ganha pontos consoante o desempenho dentro do grupo. Para apimentar ainda mais as coisas, ao longo dos níveis poderão encontrar uns Death Cards que vos proporcionarão Perks utilizáveis dentro dessa campanha. Mas a oferta de World At War em termos cooperativos não se fica por aqui: Para quem gosta de zombies, aqui também existe um modo onde até um máximo de quatro jogadores, teremos de enfrentar hordas de mortos vivos nazis, que num crescendo nos tentam eliminar. Como protecção, teremos unicamente uma habitação e munições limitadas, permitindo a pontuação acumulada o desbloqueio de novas armas e áreas dentro da casa. Como estão a ver, conteúdo é o que não falta neste jogo.
A somar aos modos cooperativos, os modos competitivos surgem como puras adaptações do aclamado sistema de Modern Warfare à realidade de 39-45. Dessa forma, preparem-se para armas com muito menos precisão, miras de aspecto datado, descargas de artilharia em vez de air strikes, matilhas em vez de helicópteros, enfim, todo um conjunto de ajustamentos que se impunham tendo em conta o retrocesso em termos tecnológicos. No entanto, isso não significa que o jogo esteja pior, sendo inegável um certo charme que transparece das velhas glórias que teremos de utilizar. Com treze mapas e oito modos de jogo, o VS em World at War oferece diversão e variedade para todos os gostos. Intacto ficou o sistema de progressão, bem como o sistema de Perks adaptado, é claro, ao armamento e tecnologia da época.
Os gráficos com que World At War nos é presenteado impressionam tanto pelo detalhe como pela beleza. Das explosões, aos membros decepados, à água, ao fogo (que nos lança chamas está divinal), tudo brilha pelo aspecto actual e sofisticado. Claro que isso só é possível através do motor de jogo já utilizado em Modern Warfare, que mesmo com um ano de idade, nos é revelado neste jogo em todo o seu esplendor. A componente sonora acompanha os pergaminhos da série, revelando-se quase imaculada em todas as vozes que acompanham este título. No horror do campo de batalha, é verdadeiramente impressionante a amálgama de sons que chegam aos nossos ouvidos e que, associada ao excelente grafismo já referenciado, nos transmite aquela sensação de veracidade tão característica da série.
Estaria a cometer uma blasfémia se não dissesse que CoD World At War era um bom jogo. Aliás, para a maior parte de vocês, estou certo, esta nova incursão nos campos de batalha da maior guerra de sempre, será mais uma experiência memorável. A acrescer a isso, poderem desfrutar cooperativamente de uma aventura já tantas vezes vivida a solo é, por si só, uma enorme inovação a considerar. No entanto, e porque talvez desejasse uma abordagem que rompesse em parte com a velha receita de sempre, tenho de reconhecer o cheiro a bafio que a mecânica de World At War transmite. Por isso, e embora a valor acrescentado de todo o pacote seja inquestionável, o patamar de excelência fica à distância de um ponto, à espera que a próxima edição (a tal da Infinity Ward), dê o salto qualitativo que muitos de nós aguardamos.